26/09/07 - Fortis Bank leva créditos de CO2 no primeiro leilão da BM&F

Com uma oferta maior do que o esperado pela prefeitura paulistana, o banco holandês Fortis Bank NVSA venceu o leilão de 808.450 créditos de carbono realizado nesta manhã na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), em São Paulo. Os créditos, vendidos por 16,20 euros cada, são referentes ao projeto de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) de geração de biogás no aterro Bandeirantes, o maior da América Latina.

O leilão, aberto com o preço de 12,70 euros por tonelada de carbono equivalente, teve duração de duas horas e contou com a participação de 14 grupos. A prefeitura arrrecadou 13,096 milhões de euros (em reais, cerca de 34 milhões), um valor 13% superior ao objetivo inicial de R$ 30 milhões.

Segundo o Portal Exame, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, avaliou o resultado como “excepcional”. “(O leilão) Vai gerar recursos importantes para a cidade de São Paulo continuar investindo intensamente em meio ambiente e na melhoria da qualidade de vida do cidadão paulistano", disse. O dinheiro irá para o Fundo Municipal de Meio Ambiente, gerenciado pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente, e dará aporte a investimentos na região do aterro.

O volume da negociação e o preço no Brasil foram superiores ao realizado na última segunda-feira (24) na Chicago Climate Futures Exchange (CCFE), bolsa de negociações futuras da Chicago Climate Exchange (CCX) - única dos Estados Unidos especializada em créditos de carbono. A CCX também realizou um leilão de reduções certificadas de emissões (RCEs), conhecidas como créditos de carbono, advindas de um projeto de energia eólica implantado na Índia e gerenciado pela Tata Motors Ltd.,maior empresa automobilística do país.

A companhia negociou 163.784 toneladas de CO2 e os negociou ao preço de 22,11 dólares por crédito de carbono (cerca de 15,70 euros). O presidente e CEO da CCX, Richard L. Sandor, também se mostrou extremamente satisfeito com o resultado do leilão, dizendo que o mesmo ultrapassou as expectativas em relação ao número de interessados, ofertas e preço.

“Nós continuaremos a dar boas vindas para que RCEs da Índia, China e América do Sul participem de leilões futuros conduzidos pela CCFE”, afirmou. Mais informações de contratos futuros de RCEs na CCFE estão disponíveis no site http://www.ccfe.com/about_ccfe/products/cer.html.

Projeto MDL

O Aterro Bandeirantes recebe cerca de 7 mil toneladas diárias de lixo, metade do total produzido em São Paulo, que geram gases do efeito estufa, como o metano. Através de um sistema de biogás, 80% dos gases são queimados e utilizados para acionar uma usina termelétrica com capacidade de gerar 175 mil MWh/ano.

O projeto começou a receber as RCEs desde o ano passado. A prefeitura tem direito a 50% dos créditos e decidiu promover o leilão para gerar maior transparência no processo de negociação, segundo a secretária-adjunta de governo da cidade de São Paulo, Stela Goldenstein. “Foi um resultado muito bom, pois o valor é bem significativo em relação ao que esperávamos", disse. Os outros 50% dos créditos foram entregues a Biogás, responsável pela operação do aterro.

A prefeitura aguarda aprovação pela Organização das Nações Unidas (ONU) para obtenção de certificado que a habilite a também vender crédito de carbono do Aterro São João, receptor da outra metade do lixo da cidade. A queima do metano desse aterro, localizado na zona leste da capital, começou em junho desse ano.

Por Paula Scheidt, com informações do Portal Exame, Valor Econômico e Gazeta Mercantil

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